Etiqueta Procel Edifica pode resultar numa economia nacional de eletricidade de 36%

O governo lançou o programa voluntário de etiquetagem de eficiência em edifícios comerciais, o Procel Edifica, que pode abrir as portas para uma economia de 36% no consumo de eletricidade dos imóveis no país, disse Fernando de Perrone, coordenador do programa na Eletrobrás.

Segundo Perrone, a adoção de técnicas e aparelhos mais eficientes em um edifício comercial pode levar a redução no consumo de energia em 50% durante a vida útil do imóvel. Na média nacional, levando-se em conta os edifícios residenciais que vão ser etiquetados daqui alguns anos, a economia pode chegar a 36%, calculou Perrone.

A Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) do Procel Edifica foi apresentada ao mercado em São Paulo. A etiqueta mede o grau de eficiência energética dos edifícios comerciais e públicos com área construída de no mínimo 500 metros quadrados.

A etiqueta avalia três características do edifício: o envoltório, a parte física do edifício; o sistema de iluminação, a iluminação interna do edifício de acordo com as diferentes atividades exercidas pelo usuário; e o sistema de condicionamento de ar, que avalia o tipo de aparelho utilizado e sua eficiência nas diferentes áreas do edifício.

O sistema de condicionamento de ar e iluminação são responsáveis por cerca de 70% e 15% respectivamente de gastos com energia.

Segundo os pesquisadores, edifícios de todos os tipos são responsáveis por 40% do consumo de energia no mundo, 16% do consumo de água e até 50% de todas as emissões de CO2.

Mas a participação dos consumidores é premente, já que a escolha de produtos mais eficientes podem levar a significantes economias na conta de luz.

A nota da etiqueta varia do número 1, para os menos eficientes - representado pela letra E, e o número 5 para os mais eficientes - representado pela letra A. Um imóvel com a etiqueta A tem um consumo 40% menor que um com a etiqueta E, disse Robert Lamberts, do laboratório de Eficiência Energética (LabEEE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), um dos coordenadores da pesquisa que levou à etiquetagem, .

Um dos grandes desafios foi montar parâmetros regionais e locais para fazer a etiquetagem, já que a variação das condições bioclimáticas tem grande influência. Por isso, buscou-se comparar um projeto com o mesmo projeto sem as tecnologias de eficiência energia.

"O edifício é avaliado em relação a ele mesmo, ou seja, conhece-se o que tem de melhor e de pior em tecnologia no mercado e compara com a que será utilizadas pelo edifício com tecnologias de eficiência energética conhecidas no mercado qual será utilizada pelo edifício", disse Lamberts.

O lançamento da etiquetagem se dá no meio de uma onda de conscientização ambiental do mercado imobiliário, refletida pelo aumento de solicitações de certificações como Leed (atingindo quase 200 este ano) e Acqua.

"Quem ficar de fora destes temas ficarão fora do mercado", disse Marcelo Takaoka, presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável  - CBCS, que estava presente no lançamento.

A etiqueta do Procel Edifica é o resultado de cinco anos de pesquisa. O desenvolvimento da metodologia ficou sob a responsabilidade de uma comissão do Inmetro e do LabEEE e  teve um financiamento da Eletrobrás de cerca de R$1 milhão.

Para João Herz da Jornada, presidente do Inmetro, um outro desafio foi encontrar um meio eficiente de comunicar os parâmetros adotados. A participação do Inmetro no programa de pesquisa foi a de transformar as informações técnicas em simples códigos, as letras, de maneira que o consumidor venha a entendê-lo com facilidade.

"O consumidor tem o poder de escolher aquilo que quer comprar e para isso as informações tem que ser o mais simples possível", disse.

A princípio, a adesão será voluntaria, porém a coordenação do Procel Edifica acredita que se tornará compulsório em cinco anos.

Os coordenadores e representantes do mercado, no entanto, acreditam que aconteça o mesmo que aconteceu com as etiquetas nos refrigeradores que começou como voluntário e, antes da data da obrigatoriedade, todos os fabricantes já adotavam a etiqueta.

Atualmente apenas o LabEEE e o Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (CEPEL) da Eletrobrás estão credenciados para emitir a etiqueta, mas o Inmetro já vem trabalhando na capacitação de 15 novos laboratórios e conta com um investimento de cerca de R$200 mil para cada laboratório, feito pela Eletrobrás.

A ENCE já nasce com sua adoção em cinco edifícios: a agência da Caixa Econômica Federal (CEF) em Curitiba; a sede administrativa da CEF em Belém (PA); os projetos da Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (SATC), em Crisciúma; a Faculdade de Tecnologia Nova Palhoça (FATENP), em Nova Palhoça (SC) e o Laboratório da Engenharia Ambiental (Cetragua) da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis.

Para o presidente do Inmetro, a energia economizada pelos edifícios abre espaço para o setor produtivo melhorar seu desempenho, pois são os que mais consomem energia elétrica no país, cerca de 47% do total.

Fonte: Revista sustentabilidade