Entrevistas

Entrevistado: Bruno Silva Serpa
Casado, 36 anos, Psicólogo e especialista em Gestão de Serviços pela FGV.
Diretor Técnico do Instituto Silva Serpa

SABER ELETRICO > Na sua opinião, a distância tende a aumentar entre os países ricos e pobres no que se refere ao avanço tecnológico (eletroeletrônico)?

BRUNO > A distância entre ricos e pobres e os avanços tecnológicos podem ser analisados, basicamente, sob dois focos: o primeiro, é pela capacidade de produção interna de tecnologias de ponta e de competição no mercado internacional. Sob esses aspectos, a distância entre países tende a aumentar, se considerarmos a experiência (barreira de entrada) já alcançada por países como os Estados Unidos, alguns nórdicos, como a Finlândia e asiáticos, como a China, Coréia do Sul e Tayuan (o Brasil, por exemplo, está em franca desvantagem e com uma defasagem de, pelo menos, 10 anos em investimento em pesquisa e infra-estrutura); o segundo, envolve o livre comércio ou consumo dos produtos e serviços entre os países. Nesse caso, a tendência é inversa: o gap do acesso às tecnologias tende a ser cada vez menor: questão de poucos anos, ou seja, com a globalização e com abertura dos comércios intercontinentais um produto que hoje é lançado ano na Coréia no Sul, tende a estar acessível no Brasil em, no máximo, 2 anos, a um custo, relativamente acessível. Mas o problema maior, ou o ‘x’ da questão em termos de acesso a tecnologias não está exatamente entre países ricos e pobres, e sim entre ricos e pobres. A exclusão digital já é realidade no planeta e, infelizmente, irá se agravar neste século.

SABER ELETRICO > O que o Brasil pode fazer para se aproximar dos países mais desenvolvidos tecnologicamente?

BRUNO > A “velha dobradinha”: educação e investimento em pesquisa. Mas essa não parece ser a estratégia do Brasil. - Porque investir bilhões se os produtos e serviços de ponta chegam mais cedo ou mais tarde ao nosso país? – um raciocínio pernicioso que vem atravancando o nosso desenvolvimento há décadas.

SABER ELETRICO > O Sr. Acha que o Brasil pode um dia ser uma referência na área da eletroeletrônica ? Por quê ?

BRUNO > Com inovação e produção genuinamente nacional, penso que não, nem nos próximos 20 anos. Somos bons em invenções e inovações, mas quase sempre que precisamos da produção em escala, ficamos a mercê de parcerias com as grandes multinacionais. Mas volto a enfatizar: a dificuldade será competir com a mão de obra barata dos países asiáticos - uma competição quase que desleal.

SABER ELETRICO > Sob sua ótica, qual a condição imprescindível para que as empresas cresçam na área da eletroeletrônica?

BRUNO > Apoio financeiro, isenção fiscal, pessoal qualificado (especialistas) e, conforme o setor, importação de tecnologia.

SABER ELETRICO > A seu ver quais são as características básicas para o sucesso na carreira eletroeletrônica?

BRUNO > Facilidade no raciocínio lógico-matemático, autodidatismo dedicado e especialização em boas universidades nacionais e no exterior, pois, conforme a área de interesse, estudar e aprofundar a pesquisa fora do país é quase que inevitável.

SABER ELETRICO > O que o Instituto Silva Serpa, como uma das referências de ensino da região dos lagos e comprometido com a formação de profissionais da região tem a dizer à sua comunidade com relação a preparação de profissionais no setor eletroeletrônico?

BRUNO > O campo de trabalho, embora restrito no nosso estado, vem em franca expansão, basta ver na área petrolífera, que as vagas continuam abertas para técnicos em eletroeletrônica e falta pessoal qualificado para preenchê-las. Em outras regiões, a demanda também é grande e quando o jovem está antenado com as oportunidades do mercado e se prepara seriamente, o sucesso é garantido.